O que acontece com o nosso corpo quando passamos uma noite sem dormir

Já ficou acordado a noite inteira por causa de uma viagem, uma prova, uma festa ou simplesmente porque o sono não veio? Se sim, você conhece aquela sensação estranha do dia seguinte: o mundo parece levemente fora de foco, as emoções ficam à flor da pele, e até decidir o que comer no almoço parece um esforço cognitivo monumental.

Mas o que exatamente está acontecendo dentro do seu corpo durante e depois dessa noite sem dormir?

Nas primeiras horas acordado, nada demais. O corpo aguenta bem. É por volta das 17h a 19h que a pressão do sono começa a aumentar — é o acúmulo de uma substância chamada adenosina no cérebro. Quanto mais tempo acordado, mais adenosina. Quanto mais adenosina, mais você sente vontade de dormir. O café funciona justamente porque bloqueia os receptores dessa substância — não te dá energia de verdade, só esconde temporariamente o sinal do cansaço.

Se você passa a noite acordado, por volta das 2h ou 3h da manhã o seu ritmo circadiano (o relógio interno do corpo) manda seu organismo diminuir a temperatura, reduzir a pressão arterial e liberar melatonina. Seu corpo está fazendo tudo certo para você dormir — mas se você resiste, começa a notar a dificuldade de concentração, os olhos pesando, a coordenação motora um pouco mais lenta.

No dia seguinte, pesquisas mostram que uma noite sem sono é equivalente em prejuízo cognitivo a estar levemente bêbado. Sua memória de curto prazo fica comprometida, você demora mais para processar informações e sua capacidade de controlar emoções despenca. É por isso que qualquer coisa parece irritante demais, ou que você ri sem motivo de coisas que normalmente não teriam graça.

Fisicamente, o sistema imunológico já sente o impacto em 24 horas. Estudos mostram redução na produção de células de defesa. O cortisol (hormônio do estresse) sobe. O hormônio do crescimento, que normalmente é liberado durante o sono profundo, deixa de ser produzido em quantidade adequada.

A boa notícia: uma noite ruim não causa danos permanentes. O corpo é surpreendentemente bom em se recuperar com algumas noites de sono de qualidade. O problema real é quando a privação se torna crônica — aí os efeitos começam a se acumular de formas que vão muito além do cansaço.

Dormir bem não é preguiça. É manutenção.

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