Todo mundo tem uma opinião sobre qual idioma é o mais difícil de aprender. Japonês, mandarim, árabe, húngaro… As sugestões variam bastante dependendo de quem você pergunta. E tem um motivo muito claro para isso: dificuldade linguística não é absoluta. Ela é relativa à sua língua materna.
O Instituto de Serviço Exterior dos Estados Unidos, que treina diplomatas americanos em idiomas estrangeiros, mantém uma lista bastante detalhada. Para falantes de inglês, os idiomas considerados mais difíceis são os chamados de “Categoria IV”: árabe, chinês (mandarim e cantonês), japonês e coreano. São línguas que exigem cerca de 2.200 horas de estudo para atingir fluência funcional. Para comparar, o espanhol está na categoria mais fácil, com cerca de 600 horas.
Mas e para nós, falantes de português? A conta muda bastante. Português e espanhol compartilham raízes do latim, estruturas gramaticais parecidas, boa parte do vocabulário. O italiano então é quase uma extensão. Já o finlandês ou o georgiano são mundos completamente à parte — com sistemas de casos gramaticais tão complexos que fazem nossa cabeça girar.
O finlandês, por exemplo, tem 15 casos gramaticais. Em vez de preposições como “em”, “para”, “de”, a língua modifica o final das próprias palavras. A palavra “casa” muda de forma dependendo se você está dentro dela, saindo dela, entrando, passando por ela, ou pensando nela de longe. É um sistema elegante — mas absolutamente alienígena para quem cresceu com o português.
O tonal também é um conceito difícil de internalizar. No mandarim, a mesma sílaba “ma” pode significar “mãe”, “cânhamo”, “cavalo” ou “repreender” — dependendo do tom de voz usado. São quatro tons diferentes, e trocar um pelo outro muda completamente o significado. Imagine aprender a falar e ter que monitorar sua melodia o tempo todo.
A boa notícia é que nenhum idioma é impossível. Crianças aprendem qualquer língua com a mesma facilidade independentemente da complexidade — o que sugere que o problema não é a língua em si, mas o fato de aprendermos como adultos, com menos plasticidade cerebral e mais autoexigência. O segredo, segundo linguistas, é aceitar errar muito e por muito tempo.